direitos iguais X atitudes iguais

Não sei ao certo com que velocidade as coisas mudam, nem se realmente apresentam uma diferença tão relevante quando aparecem, mas o fato é que por mais esperadas que sejam elas sempre causam algum tipo de estranheza. É aquela velha história de que no fundo, nem tão lá no fundo, nossas cabeças ainda são antigas demais para encarar qualquer mudança como algo que não seja perturbador. Contudo, há, também, a possibilidade de uma transformação não seja tão louvável quanto o que se esperava dela.

Na semana passada, voltava para casa cansado, bêbado de sono, agradecendo ao bom Deus pela graça de ter encontrado um lugar para ir sentado (já expliquei o porquê eu não dirijo), quando entraram algumas mulheres que demonstravam ter acabado de sair de uma festa. Elas estavam nitidamente bêbadas, mas no caso delas não era sono. Falavam alto, ofereciam comida que haviam guardado nas bolsas, fizeram até o simpático auxiliar de viagem (coisa rara) comer um torresmo. Confesso que, de início, achei aquilo extremamente desagradável, mas, mais rápido que qualquer repreensão, veio-me um tapa, que além de me esbofetear, gritou-me ao meu ouvido: “Se fossem rapazes, você estaria tão chocados?” Obvio que não, seria minha desnecessária resposta. De qualquer forma, isso tudo está previsto no novo estatuto da igualdade entre gêneros. Entretanto, ainda assim fiquei incomodado com aquilo, já que mesmo se fossem homens embriagados não seria tão melhor.

Lembro-me de certa vez, há seis anos atrás, quando um conhecido que na época possuía um restaurante comentou a atitude de duas adolescentes que combinavam ir à uma danceteria mais tarde. O detalhe que mereceu comentário foi que ambas estavam consideravelmente distantes uma da outra, ou seja, a comunicação foi feita aos berros. Para meu amigo, que assistia tudo do seu restaurante, o pior foi quando uma interrompeu a negociação afirmando que precisava, com urgência, dar um “mijão”.

Pode parecer uma bobagem machista de um homem que já estava em situação etária bem distinta a das mocinhas, coisa de velho careta, mas consegui entendê-lo. O problema detectado pelo meu amigo sexagenário é tão somente que direitos iguais constituem-se em uma causa deveras louvável, porém, atitudes iguais nem sempre é o melhor método para afirmar essa igualdade. Pode até ser um tiro no joelho, como diria o jovem Baruc, mas as ações dos homens que demonstram ter mais liberdade do que as mulheres, nem sempre são algo a ser preservado, difundido ou abraçado como causa. Exemplo perfeitamente aplicável é o adultério, aquilo que quando a mulher praticava corria risco de ser morta, justificadamente para se lavar a preciosa honra masculina, mas quando algum macho era descoberto com mais de uma família, fora as amantes, a justificativa era: “com homem é diferente” – o eterno direito inalienável dos idiotas. Mesmo porque esse ato se configura como uma irracionalidade das mais profundas.

Outra coisa é a fala chula, sem se preocuparem se há alguém por perto, senhoras, famílias, crianças. Que mulher também fala abertamente sobre sexo isso é coisa que já aprendi há muito tempo, às vezes, utilizam-se do mesmo vocabulário, mas tem uma distância enorme alguma delas dizer em uma mesa de restaurante, rodeadas por outras mesas cheias, em alto e bom tom: “ele não me comeu porque não quis”. Ora, seria desagradável, dependendo com que se está, da mesma forma, ouvir a versão masculina vinda da mesa vizinha: “não comi porque não quis”. Ficou imaginando alguém com a família ouvindo isso. Hipocrisia? Não, apenas lugar inadequado.

De forma alguma, isso é um apelo por uma postura politicamente correta das mulheres que conseguem alcançar um espaço maior e merecido. Apenas espero que o novo tipo feminino, independente, seja um exemplo que demonstre o quando alguns dos nossos hábitos masculinos são ridículos. Uma espécie de redenção comportamental vinda de uma parcela que, as murros e chutes, tem conquistado um certo espaço. É a velha história do outrora lado oprimido não se parecer com o opressor, principalmente, não herdar os seus defeitos.

Quanto às mulheres que entraram no ônibus bêbadas e escandalosas, não sei se esse é o melhor meio. Mas como já dizia a filosofa contemporânea, pensadora e Patinho Feio do Pop dos anos 80: Girls just want to have fun.

Trilha vídeo-sonora

Já que minha namorada disse que conseque enterder um homossexual quando ele canta ” I want to break free”, deu pra entender que é quase um “girls just want to have fun”.

~ por Riverson Silva em Julho 31, 2008.

2 Respostas to “direitos iguais X atitudes iguais”

  1. Olá Riverson,

    As distorções contidas na idéia de igualdade são realmente um problema. Infelismente são estas idéias distorcidas que resultam nos comportamentos escandalosos assumidos por muitas mulheres que se dizem feministas. O pior de tudo é que grande parte das mulheres que defendem um discurso que erroneamente se proclama a favor das mulheres acredita que a igualdade de gênero se resume a igualdade comportamental – tudo o que os homens fizeram devemos fazer, sobretudo aquilo que nos fere, quilo que desprezamos.

  2. Riverson,
    Certa vez li um texto de uma mulher independente querendo a todo custo saber que inventou o feminismo. Sinceramente perdemos muito, principalmente quando além de bebermos, fumarmos e falarmos iguais aos homens começamos também a adoecer mais. Os índices são altíssimos: aumentou o número de infartadas, de câncer de pulmão, de câncer de tireóide, climatério precoce. São as doenças da independência feminina. Mas o vocabulário está realmente muito vulgar, xulo, até triste. Algo que tenho combatido veementemente com minhas alunas. Hj estive abrindo um processo no pequenas causas, e tentava entender o que o acadêmico de direito me dizia. Mas não era possível suas amigas gritavam sobre como iam ser o final de semana, questões pessoais, comentários ridículos todas estudantes de direito. E eu, montando já um curso de etiqueta no trabalho… quase vendi o curso para elas. É triste. Mas acima de tudo é uma questão de ética, principalmente quando envolvem situações de ambiente de trabalho…
    Profª Rosana

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