Inferno: situações comuns em lugares bem conhecidos

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Uma das coisas de que sempre ouvimos falar, desde pequenos, é o tal do inferno. Lugar pouco agradável, segundo descrições religiosas e labiríntico na opinião de Dante Alighieri. Contudo, o que faz dessa última morada de quem não vale nada tão importante (ou não) é o fato de sempre estar presente em nosso cotidiano. Por exemplo, quando estamos sem paciência com alguém, ou  dizemos uma ofensa leve, mandamo-la para o inferno, sem nos importar em superpopulacioná-lo, como acontece com seus há séculos com os famosos Quintos. Mas outra forma de trazê-lo para nosso dia-a-dia é quando fazemos comparações com determinadas situações em lugares que, desafortunadamente, somos obrigados a vivenciar.Começarei a falar dessas situações que acontecem em lugares distintos. Quem nunca ficou numa fila de banco por quase uma hora, ou até mais, esperando aquele caixa carrancudo que se sente o prestador de favores aos imbecis que ficam de pé, um atrás do outro. É como se aquela pessoa encarregada pelos pagamentos e cobranças fosse o verdadeiro diabo, com sua maquininha de contabilizar pecados e chegar ao resultado da sua pena, ou melhor, do tempo que você deverá esperar pelo atendimento. Mas, não pense que isso é o pior. Quando alguém estoura seu limite no chegue especial, ou do cartão, ou em qualquer outra circunstância em que sua presença diante do gerente se faz mais que obrigatória; é como se fosse conversar com o próprio Lúcifer, sentado no trono que lhe é por direito, com o semblante acusador que imputa toda a culpa do mundo em sua movimentação bancária.A segunda, nada mais é do que o trânsito das 17:00 horas. Quem mora em uma capital, como em Belo Horizonte, sabe muito bem o que é tentar sair do lugar em meio a um engarrafamento que mais parece com a fila de condenados, pronto a descer para o lugar onde há choro e ranger de dentes. Tudo bem, pode até não haver propriamente choro nem ranger de dente, nas avenidas e ruas congestionadas, mas palavrões e buzinas certamente. Nesse caso, não me importaria em  ver multidões em pranto ou com bruxismo em plena luz do dia. O trajeto se torna infinitamente mais longo do que os nove círculos do Inferno de Dante, sem a possibilidade de encontrar uma saída pra qualquer purgatório que seja. No verão há outra semelhança. O calor insuportável dentro do carro, sem ar condicionado, ou dos ônibus remetem os motoristas e passageiros ao calor das caldeiras.Obviamente, essas não são as únicas maneiras de vivenciarmos o inferno, mas ultimamente são as que enfrento com mais freqüência, quase me. Sobre aquela afirmação de que o inferno é aqui, tenho minhas dúvidas, ou melhor, quase certezas de que em nosso mundim só dá pra sentirmos uma prévia. Contudo, já dá pra irmos nos acostumando com o pode esperar por nós daqui um tempo, só gostaria que mudassem um pouquinho o som das buzinas e que não tivessem engraçadinho com risadas do Pica-Pau, nem relinchos em meio às filas de carros.

~ por Riverson Silva em Maio 29, 2007.

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