Na última semana, vi na tv que o casal Nardoni havia sido preso. Confesso um certo alívio por ver que a novela Isabela pode se findar (se Deus quiser), mas imagino como as redações dos jornais se agitaram em busca de um novo combustível para acelerar os motores da audiência, que chegou a sofrer um acréscimo de 46%. Se bem que o que não falta é notícia secundária, sem importância nenhuma, para transformá-la no motivo principal para todo o alvoroço planejado da mídia.
O que mais me causou revolta não foi o fato de apontarem o pai como responsável, juntamente com a madrasta, mas a comoção desmedida emitida por populares que sequer conheciam vítima ou réus. Só para esclarecer, é óbvio que uma morte como essa choca, mas pai matar filho isso acontece desde que o mundo recebeu o santo sacramento de batismo. Coisa assim afeta quem acredita em mitos como amor materno/paterno, laços de sangue e afeto automático apenas por ter algum tipo de parentesco.
Pode até parecer ingenuidade, mas me assombro com o poder que a imprensa tem sobre a população. Todos continuam lendo ou assistindo aquilo que é eleito como o fato mais importante do momento, mas ninguém para cometer o exercício herético de pensar sobre qual seria a real motivação disso tudo. Também não posso afirmar qual será, mas se algum canal de televisão, jornal, ou desocupado que faz plantão na porta do prédio e de delegacia tivesse realmente preocupação com as crueldades praticadas contra as pobres crianças do Brasil, estariam noticiando sobres as muitas Isabelas que são arremessadas para a prostituição infantil, as Isabelas que são atiradas nas ruas, as Isabelas que são jogadas para a morte pela fome, as também Isabelas que perdem seus futuros miseráveis e analfabetos em algum lugar dessa nossa, atual e assustadoramente, nação tão sedenta de justiça como demonstrou ser em poucos momentos.
Em meio a tanto shownalismo adotado pela mídia, não sei como nenhum canal convocou os irmãos Winchester, a Turma do Scooby-Doo, ou o Goober e Os Caçadores de Fantasmas (alternativa possivelmente mais barata) para solucionarem o problema. Ora, só faltaram atribuir fenômenos sobrenatural ao assassinato, já que o povo gosta tanto disso também. Mas ainda está em tempo de chamarem o pessoal de Law and Order, ou CSI, para o caso do Ronaldo e os Três Mosqueteiros Bonecas (apelidados, segundo a Veja, de Raça, Amor e Paixão), uma vez que parece que os tablóides de direita elegeram esse como o novo feixe de lenha para manter acessa a devoradora fornalha da suposta liberdade de expressão. De qualquer forma, qualquer mesmo, o shownalismo deve continuar.
Não sei quantos conhecem “O teatro mágico”, por isso, vai aí uma dica musical para todos. Esse projeto mistura boa música, elementos cênicos e circenses com poesia, literatura e cancioneiro popular. Ainda não descobri de onde os caras são, embora os telefones de contato sejam de São Paulo, a banda não se parece muito que o que tem por lá.
Pois é, foi dessa forma que levei o melhor susto da semana passada. Estava esperando o dia morrer lenta e agonizantemente, quando começou a tocar no computador, conectado à
a mesma do hit Lovefool, trilha sonora do filme 
chamadas
planeta está superaquecendo, se o buraco da camada de ozônio é irreversível e cada vez mais aumenta, se a
e não obrigando a todos que estão sentados à mesa dividirem a quantia em partes iguais.
é algo que não se apresenta com o compromisso de ser constante. Da maneira mais simples que se possa imaginar, alguém, ou alguma coisa ou situação, pode lhe deixar alegre, assim como pode lhe deixar triste. É muito fácil imaginar a alegria dando lugar à tristeza e tomando de volta. Isso sim é humano. Inconstante, passível de oscilações.