Piada Filosófica
•Novembro 10, 2008 • Deixe um comentáriodireitos iguais X atitudes iguais
•Julho 31, 2008 • 2 ComentáriosNão sei ao certo com que velocidade as coisas mudam, nem se realmente apresentam uma diferença tão relevante quando aparecem, mas o fato é que por mais esperadas que sejam elas sempre causam algum tipo de estranheza. É aquela velha história de que no fundo, nem tão lá no fundo, nossas cabeças ainda são antigas demais para encarar qualquer mudança como algo que não seja perturbador. Contudo, há, também, a possibilidade de uma transformação não seja tão louvável quanto o que se esperava dela.
Na semana passada, voltava para casa cansado, bêbado de sono, agradecendo ao bom Deus pela graça de ter encontrado um lugar para ir sentado (já expliquei o porquê eu não dirijo), quando entraram algumas mulheres que demonstravam ter acabado de sair de uma festa. Elas estavam nitidamente bêbadas, mas no caso delas não era sono. Falavam alto, ofereciam comida que haviam guardado nas bolsas, fizeram até o simpático auxiliar de viagem (coisa rara) comer um torresmo. Confesso que, de início, achei aquilo extremamente desagradável, mas, mais rápido que qualquer repreensão, veio-me um tapa, que além de me esbofetear, gritou-me ao meu ouvido: “Se fossem rapazes, você estaria tão chocados?” Obvio que não, seria minha desnecessária resposta. De qualquer forma, isso tudo está previsto no novo estatuto da igualdade entre gêneros. Entretanto, ainda assim fiquei incomodado com aquilo, já que mesmo se fossem homens embriagados não seria tão melhor.
Lembro-me de certa vez, há seis anos atrás, quando um conhecido que na época possuía um restaurante comentou a atitude de duas adolescentes que combinavam ir à uma danceteria mais tarde. O detalhe que mereceu comentário foi que ambas estavam consideravelmente distantes uma da outra, ou seja, a comunicação foi feita aos berros. Para meu amigo, que assistia tudo do seu restaurante, o pior foi quando uma interrompeu a negociação afirmando que precisava, com urgência, dar um “mijão”.
Pode parecer uma bobagem machista de um homem que já estava em situação etária bem distinta a das mocinhas, coisa de velho careta, mas consegui entendê-lo. O problema detectado pelo meu amigo sexagenário é tão somente que direitos iguais constituem-se em uma causa deveras louvável, porém, atitudes iguais nem sempre é o melhor método para afirmar essa igualdade. Pode até ser um tiro no joelho, como diria o jovem Baruc, mas as ações dos homens que demonstram ter mais liberdade do que as mulheres, nem sempre são algo a ser preservado, difundido ou abraçado como causa. Exemplo perfeitamente aplicável é o adultério, aquilo que quando a mulher praticava corria risco de ser morta, justificadamente para se lavar a preciosa honra masculina, mas quando algum macho era descoberto com mais de uma família, fora as amantes, a justificativa era: “com homem é diferente” – o eterno direito inalienável dos idiotas. Mesmo porque esse ato se configura como uma irracionalidade das mais profundas.
Outra coisa é a fala chula, sem se preocuparem se há alguém por perto, senhoras, famílias, crianças. Que mulher também fala abertamente sobre sexo isso é coisa que já aprendi há muito tempo, às vezes, utilizam-se do mesmo vocabulário, mas tem uma distância enorme alguma delas dizer em uma mesa de restaurante, rodeadas por outras mesas cheias, em alto e bom tom: “ele não me comeu porque não quis”. Ora, seria desagradável, dependendo com que se está, da mesma forma, ouvir a versão masculina vinda da mesa vizinha: “não comi porque não quis”. Ficou imaginando alguém com a família ouvindo isso. Hipocrisia? Não, apenas lugar inadequado.
De forma alguma, isso é um apelo por uma postura politicamente correta das mulheres que conseguem alcançar um espaço maior e merecido. Apenas espero que o novo tipo feminino, independente, seja um exemplo que demonstre o quando alguns dos nossos hábitos masculinos são ridículos. Uma espécie de redenção comportamental vinda de uma parcela que, as murros e chutes, tem conquistado um certo espaço. É a velha história do outrora lado oprimido não se parecer com o opressor, principalmente, não herdar os seus defeitos.
Quanto às mulheres que entraram no ônibus bêbadas e escandalosas, não sei se esse é o melhor meio. Mas como já dizia a filosofa contemporânea, pensadora e Patinho Feio do Pop dos anos 80: Girls just want to have fun.
Trilha vídeo-sonora
Já que minha namorada disse que conseque enterder um homossexual quando ele canta ” I want to break free”, deu pra entender que é quase um “girls just want to have fun”.
Quem (não) tem medo?
•Julho 15, 2008 • 2 Comentários

Na semana passada, vinha eu de Nova Lima para Belo Horizonte, de férias da faculdade, mas não do trabalho. Deu para acordar mais tarde e vir de ônibus mesmo, uma vez que como epiléptico que morre de medo de dirigir, nunca me preocupei com carro ou habilitação. O curioso foi que uma mulher, aparentando estar na casa dos trinta e alguma coisa, assentou-se do meu lado com seu filho de aproximadamente 3 anos. Até então, tudo na mais esperada normalidade, mas quando o lotação passou pelo posto da polícia rodoviária, na estrada de Nova Lima, o menino perguntou a mãe se aqueles homens do lado de fora da cabine eram “a poliça”. A mãe, em um tom pedagógico mais apropriado para pessoas com o quíntuplo da idade, respondeu que eram sim. Mal sabia ela que o menininho já possuía uma opinião formada sobre aqueles agentes. “Eu num gosto de poliça, não”. A mulher curiosa perguntou o porquê. A resposta foi: “porque ela mata a gente”. Gostaria de ter visto a minha cara nesse instante. Imagino ter dado aquele sorriso assustado que pode ser traduzido por: “Caralho! Eu não ouvi isso!”. A mãe com um evidente desespero se pôs a tentar explicar o que havia acontecido, já que, há poucos dias, um garoto da mesma idade tinha sido morto em uma perseguição policial .
Na minha época de criança, era muito normal ter medo, bem diferente dos infantes destemidos que costumo encontrar por aí, mas não se temia qualquer coisa. Eu, por exemplo, morria de medo de assombração, do escuro, das minhas unhas ficarem roxas, de passar por baixo do arco-íris e principalmente do Dico - a versão do implacável homem-do-saco da minha infância. O pobre coitado não era nada mais do que um bêbado, um alcoólatra que, segundo os comentários, desde manhã quando chegava à roça já estava caindo embriagado. Era inofensivo, mas meu pavor vinha da famosa sensibilidade pedagógica das mães, as quais criam mecanismos de coerção que garantam a obediência dos filhos de forma eficaz, limpa e seca. Lembro-me que temíamos muitas coisas, os bandidos também, mas não a polícia. Quando vi um policial, sobrinho de um vizinho, sentado à mesa, fardado, tomando café com o meu pai, tive a certeza de uma revelação encantadora: “Eles existem mesmo”. Nas brincadeiras de “Polícia X Ladrão” que nos roubavam extensas horas pelas árvores, quintais e grotas de Piedade do Paraopeba, era sempre a mesma briga para ver quem era policial, só não insistiam aqueles que já tinham desenvolvido técnicas superiores de invisibilidade e se tornavam quase impossíveis de serem encontrados. Mas as coisas mudam, de repente, alguém nos dá as rédeas e as escolhas se tornam sérias. O lado para qual se quer jogar já está muito distante de uma rodada ou uma partida, faz muita diferença, ou, pelo menos, fazia.
Atualmente, que diferença faz? Não há mais sexo ou idade que possa isentar alguém, nem mesmo o lado que ela escolheu. Se você, mesmo que seja um cidadão honesto (ou que pensa que é), estiver no local errado apenas reze. Não há mais distinção entre os bons ou maus para a lei. Em questão de segundos, ela detém, julga e executa. Depois diz: Desculpe-nos, Nós nos enganamos. Como se isso fosse reparar uma morte, ou fazer com que um pai se revolte menos com o fuzilamento frio de uma criança de três anos, sem tempo suficiente para escolher se queria ser mocinho ou bandido, pois a antiga brincadeira já não deve ser mais praticada hoje.
Não há mais distinção de sexo, mulher também comete crime, então todas podem ser vistas como bandidas, aliás, não precisam nem serem enxergadas. A polícia atira antes mesmo.
No ônibus, a mãe assustada e apressada para explicar alguma coisa ao filho, pois ninguém gostaria que um menininho como aquele crescesse não gostando de policiais, disse: “aquilo foi na televisão, meu filho. Só existe na televisão”. Até eu gostaria de acreditar nisso, gostaria muito, mas como o garotinho, eu também tenho medo.
Trilha vídeo-sonora
Esclarecimento
•Maio 19, 2008 • Deixe um comentárioNo último texto que publiquei nesta página, fiz referência a algo eu li na revista VEJA, gostaria de esclarecer que li sim, mas depois lavei minhas mãos exaltivamente.
O show(nalismo) deve continuar
•Maio 13, 2008 • Deixe um comentárioNa última semana, vi na tv que o casal Nardoni havia sido preso. Confesso um certo alívio por ver que a novela Isabella pode se findar (se Deus quiser), mas imagino como as redações dos jornais se agitaram em busca de um novo combustível para acelerar os motores da audiência, que chegou a sofrer um acréscimo de 46%. Se bem que o que não falta é notícia secundária, sem importância nenhuma, para transformá-la no motivo principal para todo o alvoroço planejado da mídia.
O que mais me causou revolta não foi o fato de apontarem o pai como responsável, juntamente com a madrasta, mas a comoção desmedida emitida por populares que sequer conheciam vítima ou réus. Só para esclarecer, é óbvio que uma morte como essa choca, mas pai matar filho isso acontece desde que o mundo recebeu o santo sacramento de batismo. Coisa assim afeta quem acredita em mitos como amor materno/paterno, laços de sangue e afeto automático apenas por ter algum tipo de parentesco.
Pode até parecer ingenuidade, mas me assombro com o poder que a imprensa tem sobre a população. Todos continuam lendo ou assistindo aquilo que é eleito como o fato mais importante do momento, mas ninguém para cometer o exercício herético de pensar sobre qual seria a real motivação disso tudo. Também não posso afirmar qual será, mas se algum canal de televisão, jornal, ou desocupado que faz plantão na porta do prédio e de delegacia tivesse realmente preocupação com as crueldades praticadas contra as pobres crianças do Brasil, estariam noticiando sobres as muitas Isabellas que são arremessadas para a prostituição infantil, as Isabellas que são atiradas nas ruas, as Isabellas que são jogadas para a morte pela fome, as também Isabellas que perdem seus futuros miseráveis e analfabetos em algum lugar dessa nossa, atual e assustadoramente, nação tão sedenta de justiça como demonstrou ser em poucos momentos.
Em meio a tanto shownalismo adotado pela mídia, não sei como nenhum canal convocou os irmãos Winchester, a Turma do Scooby-Doo, ou o Goober e Os Caçadores de Fantasmas (alternativa possivelmente mais barata) para solucionarem o problema. Ora, só faltaram atribuir fenômenos sobrenatural ao assassinato, já que o povo gosta tanto disso também. Mas ainda está em tempo de chamarem o pessoal de Law and Order, ou CSI, para o caso do Ronaldo e os Três Mosqueteiros Bonecas (apelidados, segundo a Veja, de Raça, Amor e Paixão), uma vez que parece que os tablóides de direita elegeram esse como o novo feixe de lenha para manter acessa a devoradora fornalha da suposta liberdade de expressão. De qualquer forma, qualquer mesmo, o shownalismo deve continuar.
Vai bala?
•Dezembro 11, 2007 • 1 ComentárioEu poderia iniciar este texto fazendo uma comparação entre as balas perdidas do Rio de Janeiro e as balas vendidas nos ônibus em Belo Horizonte, mas meu senso de humor não consegue ser tão ridículo e inapropriado, já que além da piada ser fraquíssima, a situação da capital nacional do Capitão Nascimento não tem graça. Contudo, é apenas o segundo assunto que me interessa agora. Ultimamente, na cidade do pão-de-queijo e do pirulito (da Praça Sete), tem sido comum à presença de jovens, desde adolescentes até adultos, vendendo balas, doces, chicletes e outros dentro dos coletivos, nos mais variados horários. Aquela história do “eu podia estar roubando”, embora não seja mais cantarolada em entonação de texto duramente decorado, essa situação é perceptível.De maioria negra, tipicamente trajados como moradores de periferia e expressão quase sempre simpática, os vendedores se configuram em uma das partes do binômio fome/vontade de comer (foi mal, mas hoje eu estou um clichê só). Pois, agüentar o trânsito de Belo Horizonte não é tarefa que exige apenas paciência, e desprendimento material, já que pode lhe custar o emprego por tanto atraso e sempre a mesma desculpa que chefe nenhum acredita mais, mas às vezes as horas de lentidão na “fila do inferno” podem lhe causar fome, sede, vontade de se distrair fazendo bola enormes de goma de mascar, que podem funcionar também na aquisição de mais espaço, uma vez que ninguém é muito apreciador de chicletes no cabelo.O que resulta com essa iniciativa dos ambulantes dos ônibus é que o passageiro tem um pouco mais de comodidade, não aquela que se tem em um Ford Fusion, nada disso, mas podem comer, ou chapar alguma coisa (não ouse pensar besteira, estou me referindo a um local público) sem ter que esperar até o fim da travessia no Flegetonte.
Não, eu não morri… ainda!!!
•Dezembro 1, 2007 • Deixe um comentárioMas bem que esse fim de semestre está se esforçando ao máximo para me matar.
Boletim da boa música – O Teatro Mágico
•Outubro 24, 2007 • Deixe um comentário
Não sei quantos conhecem “O teatro mágico”, por isso, vai aí uma dica musical para todos. Esse projeto mistura boa música, elementos cênicos e circenses com poesia, literatura e cancioneiro popular. Ainda não descobri de onde os caras são, embora os telefones de contato sejam de São Paulo, a banda não se parece muito que o que tem por lá.
No sítio da banda é possível encontrar fotos, agenda, camisetas, cd’s e mp3 de graça, o melhor da festa.
O vídeo abaixo é da música O anjo mais velho, primeira música que ouvi deles e, acreditem, não é a melhor.
Só mais uma coisa, o clip não é oficial, foi alguém que juntou a música com as cenas do filme Amélie.
Números, inexatos, mas números.
•Outubro 23, 2007 • 1 ComentárioAtaque com helicópteros dos EUA mata 16 pessoas no Iraque
http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u338939.shtml
Pois é, disseram que a guerra tinha acabado em 20 de março de 2003, mas o engraçado é que todos os dias as agências de notícias dão números novos de baixas, quase sempre do lado civil da coisa. O que me assusta mais é ver pessoas se alistando para um inferno desses.
Há pouco tempo, encontrei um amigo, filho de pai brasileiro e mãe americana, que me contou o esforço que fez ao tentar entrar para as Forças Armadas do Brasil. Para felicidade dele, fora recusado e agora está no final do curso de administração e já tem um bom emprego. Contudo, se ele não teve muita sorte em se alistar no exercito daqui, seu amigo, filho de pai estadunidense e mãe brasileira, não pensou duas vezes. Foi para os Estados Unidos e integrou às tropas que estão no Iraque. Por e-mails já contou ao amigo sobre uma bala perdida que ganhou de brinde no braço e das “aventuras” com direito ao tanque que estava ao lado do seu ser atingido por um míssil.
Para uns e outros que ainda pensam que a guerra é apenas uma projeção dos filmes ou desenhos dos G.I. Joes, ou um tabuleiro de War e que os mocinhos sempre ganham, coroados pela justiça que sempre chega, por mais que tardia, deve ser frustrante perceber o quanto a realidade é diferente das notícias. Certo dia, nem me lembro quando, estava à deriva na Internet, quando resolvi procurar alguma coisa realmente útil: fotos de fantasmas (tudo bem, é a maior picaretagem, mas é divertidíssimo). No site, não havia apenas fotos de orbs, ou ectoplasma. Numa das seções, intitulada tortura que me chamou atenção. Antes que alguém pense que foi por sadismo, já explico que foi por curiosidade pelas máquinas utilizadas na Idade Média. Contudo, para o meu espanto, não havia aparelhos antigos, ou padres sanguinários, mas cenas de mulheres afegãs e iraquianas sendo humilhadas e estupradas pelos soldados estadunidenses. Coisa que as agências de notícias nem sonham em dizer, quando mencionam, são sempre os bárbaros que lutam contra as forçar da liberdade que comentem uma atrocidade dessas.
Enquanto a Reuters dá números pingados de civis mortos, acidentalmente confundidos com terroristas armados até os dentes que ocultaram o armamento nos bolsos vazios, a coisa é bem pior do que se imagina. A prepotência e arrogância estadunidense não encontram oponente a altura no planeta e continuam a matar e encobrir os números, como se fosse possível melhorar a imagem sanguinária que eles mesmos vêem construindo há séculos.
Dia de São Vinicius Moraes – 19 de outubro
•Outubro 22, 2007 • 4 Comentários

Na última sexta-feira, a Igreja Intergaláctica Riveriana comemorou o dia de São Vinicius de Moraes. Nascido nessa mesma data no ano de 1913, na cidade do Rio de Janeiro, o santo dedicou a sua vida à diplomacia, ao jornalismo, à poesia e à música.
São Vinicius é o santo casamenteiro da nossa congregação. Onde já se viu um santo que nunca se casou ser responsável pelo matrimônio? Como um tal de Santo Antônio poderia conseguir desencalhar alguém sendo que nunca se casou?
Por isso, nós da Igreja Riveriana instituímos São Vinicius como santo patrono do casamento e enlaces amorosos informais. Quando estávamos entre nós, casou-se nove vezes. Ora, isso me força a perguntar: quem entende mais sobre o assunto? Quem tem mais experiência? Quem pode aconselhar ou rogar com mais autoridade? Uma pessoa que nunca contraiu matrimonio, ou uma que passou pelo Calvário nove vezes?
Por essas e outras que dizemos:
São Vinicius de Moraes, rogai por nós pecadores!
Bem-aventurados os nacidos no dia do Santo do whisky, da poesia e das mulheres.
Sarava, ops, amém.
P.S.: Em caso de desespero não coloquem foto ou miniaturas de São Vinicius de cabeça para baixo em um copo com água, isso pode reverter o processoo. O correto é colocá-lo num copo com bastante whisky, dos bons, nada de paraguaio.

